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José Maria dos Santos
(Lisboa, n.01/12/1835 m.19/06/1913)
Nascido no seio de uma família humilde (o seu pai era o ferrador Mestre Caetano), viria a ser um dos maiores lavradores do seu tempo e o homem mais rico de Portugal à data da sua morte, no entanto nunca deixou de ser um homem do povo.

A sua união com uma das herdeiras do Barão S. Romão, anterior proprietário da região, permitiu-lhe desenvolver e modernizar a agricultura em especial nas suas herdades de Rio Frio, Palmela e Machados, onde introduziu maquinaria e adubos qu?micos, uma novidade na época. Na ânsia de multiplicar a riqueza recebida, mandou ainda plantar a maior vinha do Mundo em Poceirão (cerca de 6 milhões de videiras), promoveu a colonização destas terras e usou a sua influência na Corte - exerceu, entre outros, os cargos de deputado e de Par do Reino - para chamar à região o caminho-de-ferro. Ilustre lavrador foi, igualmente, um ilustre benemérito.
São inúmeras as histórias que dão conta do carácter justo de José Maria dos Santos e lhe granjearam a admiração dos seus rendeiros em particular. Já em plena República, o Diário de Noticias de 21 de Junho de 1913 descreve o seu funeral como algo nunca visto em Lisboa : " Para tomar parte no cortejo haviam chegado de manhã, em vapores e fragatas, numerosíssimos trabalhadores que se empregam nas grandes propriedades de Rio Frio.
Na ocasião da saída do funeral, na Rua da Junqueira, tornou-se difícil o trânsito, pois não só os trabalhadores , como os pobres, que ali se aglomeravam, enchiam a larga rua, dificultando o trânsito dos eléctricos, apesar da presença de uma força de polícia sob o comando de um chefe. No Largo do Calvário, o préstito levou cerca de uma hora a passar, sendo presenciado por milhares de pessoas. Depois de sair o funeral, foram entregues pela família ao chefe da polícia 40$000 réis, para serem distribuídos em esmolas de 100 réis 1".


Manuel Giraldes da Silva
(n. Pinhal Novo 27/06/1898 - m. Montijo 27/11/1974)

Nascido em Pinhal Novo a 27 de Maio de 1898, Manuel Giraldes da Silva, autor das fotografias que agora nos permitem ir ao encontro de Pinhal Novo e Rio Frio nas décadas 20 e 30 do séc.XX, faleceu no Montijo em 1974.

Com a 4ª classe, e sem possibilidades de prosseguir estudos, por dificuldades econ?micas, Manuel Giraldes da Silva começou a trabalhar como ajudante de farmácia aos 13 anos. Durante 40 anos esteve ao serviço da Casa de Rio Frio, assumindo, entre outras, as funções de "empregado superior da Casa", de Director da Caixa de Previdência e de responsável pela Farmácia local.
Mantendo sempre grande interesse por diversas áreas artísticas como a literatura, o cinema, o teatro e a fotografia, foi impulsionador de actividades teatrais e cinematográficas em Rio Frio, dando-nos disso notícia em textos diversos que compilou sob o título de "A minha acção social nos quarenta anos de serviço prestados na Casa Agrícola Santos Jorge".


O teatro de Rio Frio foi inaugurado em 1942, com a actuação do grupo de amadores ensaiado por Eduardo Casimiro Tavares: Giraldes da Silva foi o autor dos textos representados. Dois anos depois, foi inaugurado por sua iniciativa o Cinema de Rio Frio, "na dependência de uma adega, com máquina portátil e o filme português Pátio das Cantigas". Ao longo das décadas de 40-50, a população pôde assistir a produções portuguesas e estrangeiras, por cerca de 1$50/bilhete "para homens" e 1$00/bilhete "para mulheres e rapazes". O seu desejo era realizar sessões semanais em Rio Frio, mas também em Rilvas e Barroca d'Alva.


Fotógrafo amador, premiado no 1º Salão Fotográfico das Festas Populares de S.Pedro (1954) e na modalidade de fotografia nos jogos florais das mesmas festividades em 1959, a sua obra permite-nos conhecer, entre outros aspectos, o dia-a-dia dos trabalhadores de Rio Frio, alguns importantes acontecimentos locais e o património histórico do distrito de Setúbal.


As suas fotografias também ilustram obras como As mulheres do meu país, de Maria Lamas, Portugal ilustrado e História da Tauromaquia, de Francisco Câncio e Contribuição para o fabrico do queijo típico do Alentejo, do eng. José Lupi.


Autor de 17 inéditos no âmbito da poesia e dramaturgia, integrou o movimento literário "Cenéculo da Tábua Rasa", constítuido por figuras do meio teatral e intelectual lisboeta. Autor de quadras populares, a sua produção neste foi distiguida co Menções Honrosas e Prémios, na década de 40, por entidades como a Emissora Nacional, o Queluz Atlético Clube e o Ateneu Comercial de Lisboa.

Colaborador de diversos jornais e revistas de tendência republicana como A Liberdade, A Gazeta do Sul, O Sidonista, O Aldegalense, O Ribatejo e o Mundo Teatral, criticou a instabilidade política vivida em Portugal durante a 1ª Rep?blica (1910-1926). Nas décadas de 40-50, assumiu uma postura de admiração da obra do regime político então vigente, no quadro das suas funções como empregado superior da Casa onde trabalhava, mostrando particular preferência pela Política do Espírito de António Ferro e pela política de Obras Públicas de Duarte Pacheco.


O seu nome foi atribuido à Biblioteca Municipal do Montijo, para homenagear a sua acção como bibliófilo e entusiasta da criação de uma biblioteca pública naquela localidade; com esse objectivo doou à respectiva Câmara Municipal, em 1969, a sua biblioteca particular. Aí pode apreciar-se a sua produção inédita e consultar os cerca de 17000 documentos que, ao longo da sua vida, reuniu e quis por fim partilhar com a população.